Quando Durão Barroso andava de cacilheiro e assistia à História

 

Vinte e dois anos depois de ter inaugurado o Terminal Fluvial do Cais do Sodré, José Manuel Durão Barroso voltou ao edifício que agora é também a sede da TTSL – Transtejo Soflusa. Desta vez, para descerrar uma placa comemorativa do terminal numa cerimónia enquadrada no 50º aniversário da empresa, mas também para recordar os tempos da sua infância e juventude quando atravessava diariamente o rio de cacilheiro para estudar no Liceu Camões.

 

“O convite para estar presente nesta cerimónia veio bulir com memórias da minha infância. Disse logo que sim”, contou. Sublinhando a importância do complexo intermodal do Cais do Sodré para a mobilidade de milhões de pessoas e como facto de união das duas margens, foi mais o homem que o antigo primeiro-ministro a falar – “sinto-me muito identificado com esta obra, mas este é o momento sobretudo para recordar histórias do que para discursos formais.”

 

E foram algumas que contou. Como a daquele dia do terramoto de 1969 em que foi o primeiro aluno a chegar ao liceu, mesmo vivendo na Cova da Piedade para onde os pais se tinham mudado. Ou do dia 25 de Abril de 1974 quando, depois de atravessar o rio, se viu no Largo do Carmo a assistir na primeira pessoa à queda do regime. “Perguntei a um soldado o que se estava a acontecer e ele disse que era um golpe de Estado e que eu não podia passar. E eu perguntei-lhe o que era um golpe de Estado e ele responde ‘não sei’…”

 

Perante esta resposta, o jovem José Manuel não se fica: “Se não sabe, deixe-me passar…” E o soldado deixou. E assim viveu a História, sem imaginar que um dia seria primeiro-ministro de Portugal.

 

Datas marcantes que o ex-presidente da Comissão Europeia viveu porque atravessou o rio de barco. Era outro o cais. Em maio de 2004, já primeiro-ministro, inaugura o novo terminal fluvial, integrado no complexo intermodal do Cais do Sodré, com ligação à CP, Metro e à Carris.

 

A obra – que tem a assinatura dos arquitetos Nuno Teotónio Pereira e Pedro Botelho – desempenha um papel crucial na mobilidade entre Lisboa e a Margem Sul – com ligações diretas a Cacilhas, Montijo e Seixal. Um edifício que foi concebido para responder ao elevado fluxo diário de passageiros – por aqui passam anualmente cerca de 10 milhões de pessoas, 27 mil todos os dias.

 

Na cerimónia de celebração do 22º aniversário do Terminal Fluvial do Cais do Sodré, o presidente da TTSL, Rui Rei, fez questão de sublinhar a importância do Tejo e da empresa como um fator de união das duas margens. Ou seja, como facilitadores de mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa. E acrescentou que o objetivo é fazer crescer cada vez mais a oferta de transporte público, respeitando os dinheiros públicos que os cidadãos colocam ao serviço da empresa.

 

A diversificação das fontes de rendimento da TTSL, nomeadamente a recuperação da vertente turística, foi igualmente referida pelo presidente do Conselho de Administração.

 

Num dia em que se celebrou o edifício que se debruça sobre o rio, Rui Rei disse ainda que a TTSL é o maior polo de descarbonização do Tejo. Ao todo são 10 navios elétricos, a maior operação elétrica do mundo, que promove a mobilidade sustentável.